Memórias

A Última Carta de Lisboa

A Última Carta de Lisboa

A máquina de escrever estava coberta por um lenço bordado. Clara herdou-a da avó junto com uma caixa de cartas nunca enviadas.

Lisboa cheirava a torrada e a chuva recente. Clara caminhou até o miradouro onde a avó dizia ter aprendido a esperar.

Na terceira carta, encontrou um endereço riscado e reescrito três vezes. Não era um erro — era hesitação, o tipo de hesitação que muda uma vida.

Seguiu o caminho até uma livraria pequena, de portas estreitas. O dono reconheceu o sobrenome dela antes que ela dissesse o próprio nome.

«Ela voltaria todo outono», disse ele. «Disse que escreveria quando tivesse coragem de ficar.» Clara percebeu, então, que a última carta não era para outra pessoa. Era para si.

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